EUA suspende bloqueio naval contra o Irã
Os Estados Unidos suspenderam nesta quinta-feira (18) o bloqueio naval dos portos iranianos imposto durante a guerra, após o acordo que seus presidentes assinaram à distância para pôr fim ao conflito. No entanto, permanece a incerteza sobre as conversações previstas na Suíça para avançar na implementação do pacto.
O acordo-quadro estabelece as bases para encerrar o conflito desencadeado em 28 de fevereiro pelos ataques israelenses e americanos contra o Irã, que causou milhares de mortes e abalou a economia mundial.
Além disso, abre caminho para um período de 60 dias de negociações detalhadas sobre a diluição do urânio enriquecido da república islâmica.
Não está claro se ambas as partes — que não mantêm relações diplomáticas desde 1979 — realizarão a cerimônia de assinatura inicialmente prevista para sexta-feira na Suíça.
O vice-presidente americano, JD Vance, declarou que espera viajar à Suíça durante o fim de semana para negociações técnicas, embora tenha advertido que os planos podem mudar. No Irã, a agência Tasnim afirmou que "nada está confirmado" em relação à viagem da delegação iraniana.
O líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira que aprovou um acordo com os Estados Unidos para pôr fim à guerra, apesar de ter uma "opinião diferente", sem fornecer mais detalhes.
Khamenei também declarou, em sua primeira reação ao acordo, que "é evidente" que as futuras conversações com os Estados Unidos ocorrerão de forma direta, cara a cara, sem que isso signifique "aceitar seus pontos de vista".
- Queda nos preços do petróleo -
Os preços do petróleo recuaram após a assinatura do memorando de entendimento, embora o tráfego continuasse reduzido no Estreito de Ormuz, a estratégica rota para as exportações de hidrocarbonetos que o Irã fechou durante o conflito e que, segundo o acordo, deveria ser reaberta imediatamente.
As forças americanas suspenderam nesta quinta-feira o bloqueio naval sobre os portos iranianos, que impedia a entrada e saída de embarcações da república islâmica, informou o Exército dos Estados Unidos, acrescentando, porém, que seus navios de guerra "permanecerão na área".
Três petroleiros sauditas deixaram o Golfo através do Estreito de Ormuz nesta quinta-feira, segundo dados de rastreamento marítimo, enquanto o navio francês de gás natural liquefeito Mraikh tornou-se o primeiro de sua categoria a cruzar o estreito desde o início do conflito.
O Exército americano, que havia imposto o bloqueio após o Irã fechar o estreito no início da guerra, já permitiu a passagem de pelo menos 12 embarcações, afirmou Vance.
- "Duvido muito que dure" -
As conversações anunciadas em um hotel de luxo suíço devem abordar o levantamento das sanções contra o Irã e o compromisso americano de criar um fundo de reconstrução de 300 bilhões de dólares.
Mas o presidente Donald Trump negou nesta quinta-feira que os Estados Unidos venham a desembolsar essa quantia.
"Não há nenhum pagamento de 300 bilhões de dólares ao Irã por parte dos Estados Unidos. Isso é notícia falsa! Tudo o que existe para os Estados Unidos é sucesso, preços mais baixos do petróleo e vitória. Olhem para o mercado de ações", escreveu Trump em sua rede social Truth Social, atribuindo as críticas à oposição democrata.
O texto do memorando de entendimento prevê que os Estados Unidos suspendam, desde o momento de sua assinatura, as sanções sobre a venda de petróleo iraniano. Também se comprometem a eliminar todas as restrições caso um acordo definitivo seja alcançado ao final do período de negociações de 60 dias.
Os dois países também discutirão um mecanismo para administrar as reservas iranianas de urânio, "recorrendo, no mínimo, a um método de diluição no próprio local sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica", considerada por Washington uma "grande vitória".
A diplomacia iraniana esclareceu nesta quinta-feira que o poderoso programa de mísseis do país não fará parte das negociações.
Essas concessões, negociadas ao longo de dois meses com a mediação de países muçulmanos, provocaram fortes críticas em Israel.
"Se eu fizesse parte do gabinete do governo israelense, talvez não atacasse o único aliado poderoso que ainda me resta em todo o mundo", respondeu Vance.
Também houve críticas na imprensa americana, que destaca o uso de bilhões de dólares para conduzir as hostilidades e o possível fortalecimento do Irã ao final de uma guerra na qual o presidente Donald Trump começou defendendo uma mudança de regime em Teerã.
Para o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, "este acordo constitui o fracasso dos Estados Unidos" diante do Irã.
Enquanto isso, nas ruas de Teerã, predomina o ceticismo.
"Duvido muito que dure", afirmou à AFP Mina, uma psicóloga de 54 anos, que teme que as hostilidades sejam retomadas após os 60 dias de negociações.
No Líbano, o líder do movimento pró-iraniano Hezbollah, Naim Qassem, considerou o pacto uma "grande vitória" para o Irã, a quem agradeceu por ter insistido para que a frente libanesa fosse incluída no protocolo.
Em uma mensagem televisionada, ele pediu que se "aproveite" o acordo para "expulsar Israel" do território.
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