RCA Telegram News California - Negociações entre Ucrânia, Rússia, EUA têm início em Abu Dhabi

Negociações entre Ucrânia, Rússia, EUA têm início em Abu Dhabi

Negociações entre Ucrânia, Rússia, EUA têm início em Abu Dhabi

Representantes de Rússia, Ucrânia e Estados Unidos iniciaram negociações nesta sexta-feira (23) em Abu Dhabi, anunciou a diplomacia dos Emirados Árabes Unidos, depois que Moscou exigiu que Kiev retirasse suas tropas do leste da Ucrânia para resolver o conflito.

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Os diálogos nesta sexta e no sábado são as primeiras negociações diretas conhecidas entre Moscou e Kiev sobre o plano proposto por Washington para encerrar a guerra, que já deixou milhares de mortos desde 2022.

"As Forças Armadas da Ucrânia devem deixar o Donbass; elas devem se retirar. Esta é uma condição muito importante", declarou o porta-voz presidencial russo, Dmitri Peskov.

"Sem uma solução para a questão territorial (...) não faz sentido esperar pela conclusão de um acordo de longo prazo", acrescentou.

A Rússia exige a retirada completa das forças ucranianas do Donbass, uma região industrial e de mineração no leste da Ucrânia que inclui as regiões de Donetsk e Luhansk e é amplamente controlada por Moscou.

O Kremlin concentra suas exigências em Donetsk, que controla parcialmente e que continua sendo o epicentro dos combates que deixaram dezenas de milhares de mortos desde a invasão russa de fevereiro de 2022.

O encontro em Abu Dhabi ocorre um dia após duas reuniões de alto nível: uma em Davos entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outra em Moscou entre o mandatário russo, Vladimir Putin, e os enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner.

A última rodada de negociações diretas ocorreu em julho de 2025 em Istambul, mas resultou apenas em um acordo para a troca de prisioneiros e dos corpos de soldados mortos.

"A questão do Donbass é fundamental", disse Zelensky nesta sexta-feira, acrescentando que o assunto seria discutido em Abu Dhabi.

No início da tarde desta sexta, o presente ucraniano declarou que havia conversado com sua equipe de negociação enviada aos Emirados Árabes, com quem abordou "temas" que deveriam ser tratados no reunião e os "resultados desejados" do encontro.

Um alto funcionário próximo às negociações, que pediu anonimato, disse à AFP que "muitas coisas dependerão da posição dos americanos".

- Europa "fragmentada" -

Na quinta-feira, Zelensky criticou seus aliados em um discurso no Fórum de Davos, descrevendo uma Europa "fragmentada" e "perdida", incapaz de influenciar as posições de Trump e sem "vontade política" para confrontar Putin.

A delegação russa será chefiada pelo general Igor Kostiukov, chefe do serviço de inteligência militar (GRU), informou o assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, a jornalistas.

A Ucrânia será representada pelo secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov; pelo chefe do gabinete presidencial, Kyrylo Budanov; seu vice, Sergi Kislitsya; pelo líder do partido presidencial, David Arakhamia; e pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andrii Hnatov.

Outra reunião sobre questões econômicas também ocorrerá nesta sexta-feira em Abu Dhabi, entre Witkoff e o enviado do Kremlin para assuntos econômicos internacionais, Kirill Dmitriev.

"Estamos sinceramente interessados em uma solução para o conflito por meios políticos e diplomáticos", afirmou Ushakov. Porém, "até que isso aconteça, a Rússia continuará alcançando seus objetivos (...) no campo de batalha", acrescentou Ushakov.

Em Davos, Zelensky teve uma breve reunião na quinta-feira com Trump, que descreveu como "positiva", embora tenha reconhecido que o diálogo foi "complexo".

Ainda assim, ele afirmou que foi alcançado um acordo sobre as garantias de segurança que os Estados Unidos devem oferecer à Ucrânia para dissuadir a Rússia de lançar novos ataques após um eventual fim do conflito.

Nos últimos meses, Moscou intensificou os ataques contra a rede elétrica ucraniana, causando apagões em massa, principalmente na capital, em pleno inverno.

Na região de Donetsk, um bombardeio russo deixou quatro mortos na noite de quinta-feira, incluindo uma criança de cinco anos, e outro ataque russo matou três civis na sexta-feira na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, segundo as autoridades ucranianas.

No plano energético, a operadora ucraniana Ukrenergo anunciou que na manhã desta sexta-feira teve que cortar o fornecimento "na maioria das regiões".

E.P.Marquez--RTC