Entre vaias e dúvidas, o já classificado México busca convencer contra a República Tcheca
A seleção mexicana comemorou sua classificação antecipada e tranquila para a fase de mata-mata da Copa do Mundo de 2026, mas seu desempenho tem deixado a desejar, gerando preocupações quanto ao futuro do torneio, que o país sedia junto com Estados Unidos e Canadá.
'El Tri' retorna ao lendário Estádio Azteca, na Cidade do México, nesta quarta-feira (24), para encerrar a fase de grupos contra a República Tcheca.
Trata-se, essencialmente, de uma formalidade, embora a equipe da casa busque alcançar um aproveitamento de 100% nesta etapa inicial pela primeira vez.
"Temos que vencer a partida", disse o meio-campista Erik Lira. "Não há sensação melhor do que conquistar todos os nove pontos e seguir para a próxima fase com confiança".
O México venceu a África do Sul por 2 a 0 na estreia e, na sequência, derrotou a Coreia do Sul na segunda rodada, graças a um erro crasso do goleiro adversário.
O estilo de jogo da equipe não impressionou, mas isso pouco importou para as centenas de milhares de torcedores mexicanos que foram às ruas para comemorar os dois triunfos.
- "Relaxamos" –
O México jogou no mais puro estilo de Javier Aguirre, que comanda a seleção pela terceira vez: lutar, sem encantar.
Na partida contra a África do Sul, por exemplo, o resultado não refletiu o domínio da equipe. Na visão de 'El Vasco' Aguirre, o placar deveria ter sido 4 a 0.
"Tivemos 16 chances de gol e 12 cruzamentos, mas faltou precisão no último terço do campo", resumiu o experiente treinador, reconhecendo que a pressão afetou vários jogadores.
"Relaxamos", disse ele, observando que "faltou verticalidade" à equipe para aproveitar a expulsão de dois jogadores da seleção adversária.
A vitória não impediu que o time fosse vaiado durante a partida.
"Se houver vaias, cabe aos jogadores mexicanos garantir que isso não se repita", afirmou Aguirre.
O experiente treinador brasileiro Tuca Ferretti, de longa carreira no futebol mexicano e comentarista de televisão, foi implacável em sua avaliação do desempenho do México na Copa do Mundo: "Foi o pior dos três países-sede".
- "Difícil de digerir" -
O México viajou para Guadalajara, onde conquistou sua segunda vitória, um triunfo por 1 a 0 sobre a Coreia do Sul. Aguirre concentrou sua estratégia tática em neutralizar as investidas ofensivas fulminantes dos asiáticos.
E o gol que conseguiram marcar veio graças a uma falha do goleiro adversário.
O desempenho ofensivo da equipe foi limitado: "Tivemos três chances, além do gol", observou Aguirre.
"Foi uma partida de muita estratégia e difícil de digerir para a torcida", analisou.
O público ofereceu um apoio "imensurável", mas, mais uma vez, manifestou sua insatisfação com a forma pouco empolgante como a vitória foi conquistada.
Pensando no jogo contra a República Tcheca, Aguirre está ciente de que o México precisa apresentar um futebol mais atraente e eficiente: "Precisamos encontrar alternativas, uma maneira melhor de sair jogando com a bola".
O lendário jogador e atual comentarista de TV Hugo Sánchez instou os jogadores mexicanos e o técnico a "serem mais ousados", aconselhando-os a enfrentar os tchecos como se já estivessem perdendo a partida.
- Ochoa ou Rangel? –
Com a liderança do Grupo A e a vaga nos 16-avos já garantidos, especula-se no entorno da seleção mexicana sobre possíveis alterações na escalação do time titular para o jogo contra a República Tcheca, especialmente no gol.
Nos dias que antecedem a partida, o principal debate gira em torno de saber se Aguirre deve manter Raúl Rangel ou escalar Guillermo Ochoa, permitindo que o veterano goleiro possa se despedir da seleção mexicana atuando em sua sexta Copa do Mundo.
Entre os que defendem essa homenagem a Ochoa está Oscar 'El Conejo' Pérez, ex-goleiro que disputou as Copas de 2002 e 2010: "Tê-lo em campo, mesmo que por apenas alguns minutos, seria um gesto simbólico de reconhecimento por tudo o que ele fez pela seleção".
Por outro lado, o campeão mundial pela Argentina em 1986 como jogador e agora comentarista Jorge Valdano foi taxativo: "Uma Copa do Mundo não é lugar para fazer diplomacia".
A polêmica ganhou força porque a Fifa não concedeu a Ochoa o 'Legacy Patch', um emblema no uniforme destinado a jogadores que participaram de cinco ou mais Copas do Mundo. O motivo é que o goleiro mexicano, hoje com 40 anos, foi reserva e não chegou a entrar em campo durante os torneios de 2006, na Alemanha, e de 2010, na África do Sul.
M.Tran--RTC